Quando Humanos e IA trabalham juntos o resultado pode ser positivo para as empresas

O avanço das inteligências artificiais nos ambientes de trabalho já é uma realidade. Diferentes tipos de empresas, de diferentes portes, já introduzem ferramentas de IA para automatizar processos, seja eles internos ou externos, com o foco na produtividade. Escritores, médicos, advogados, designs, já estão tendo que competir com ferramentas que já fazem o mesmo trabalho que os humanos, seja na escrita, assim como em diagnósticos de doenças. Há alguns anos, não se acreditava que essas mudanças seriam possíveis, pelo menos não na velocidade em que estão sendo desenvolvidas.

Uma pesquisa publicada na Harvard Business Review, levantou que empresas que só focam na automatização de processos, com o objetivo de deslocar ou diminuir os custos com funcionários terão ganhos de produtividade em um curto espaço de tempo. Isso porque, durante a pesquisa que envolveu 1500 empresas, foi possível analisar que quando humanos e inteligência artificial trabalham em sintonia, a performance é significantemente positiva para as empresas.

O ponto principal é que ambas as partes possuem características distintas que se completam. Humanos possuem capacidades de liderança, criatividade e social skills, enquanto as inteligências conseguem realizar um grande número de análises de dados a uma velocidade infinitamente maior que um humano poderia fazer. O trabalho realizado em colaboração, unindo o melhor de ambas as partes, é que gera a alta performance no resultado final ou nos ganhos positivos das empresas.

Mas como explorar o melhor de cada parte? Será preciso remodelar ou redesenhar as estruturas da empresa. Para extrair o máximo dessas ferramentas é necessário ter uma visão clara sobre os processos internos operacionais e de pessoal. A partir dessa organização será possível identificar os setores que poderão ser melhorados com a implementação de novas tecnologias. Esse trabalho de remodelagem é algo particular de cada empresa, já que vai depender do funcionamento e cultura delas.

Do ponto de vista jurídico, existem questões complexas e desafiadoras, já que os legisladores estão tentando acompanhar essas mudanças na mesma velocidade que as inteligências estão sendo disseminadas no ambiente laboral. Desde problemas relacionados à privacidade até as responsabilidades legais geradas a partir dessa nova modalidade de relação. Questões relacionadas ao Direito Trabalhista já vêm criando um grande volume de ações, principalmente após o COVID. Vários países já estão criando leis e diretrizes que regulamentam o uso nos seus territórios.

No Brasil, já existe uma movimentação do congresso para a regulação do uso da IA no país. O projeto de lei brasileiro que cria o Marco Legal do Desenvolvimento e Uso da Inteligência Artificial já está sendo votado. O principal ponto do projeto é responsabilizar os desenvolvedores e agentes da IA, para assim assegurar os direitos à proteção de dados, além dos direitos humanos e valores democráticos. Ainda é incerto o futuro sobre como esse tema irá ser abraçado juridicamente, contudo, é imprescindível ter em mente que a parte mais frágil dessa relação ainda é a parte humana.

No contexto geral, o uso das inteligências artificiais é uma oportunidade para qualquer negócio. Sabemos que por estarem ganhando espaço a uma velocidade sem fim, elas precisam do suporte humano para poderem se desenvolver e ainda enfrentarão muitos desafios, principalmente desafios complexos legais. Por isso, é essencial que governos trabalhem para encontrar meios jurídicos que garantam os direitos da população, enquanto gestores coloquem como uma possibilidade não somente a introdução de ferramentas de AI para aumentar produtividade, mas sim, que essas ferramentas possam trabalhar em conjunto com seus colaboradores.

E, para isso, é fundamental que tanto as empresas quanto os profissionais se dediquem no treinamento e aprofundamento desta ferramenta, uma vez que a melhor forma de se obter resultado da inteligência artificial é, principalmente, conhecendo os processos, para que, tanto as perguntas quanto as respostas sejam mais eficazes.

Por Aline Silva, Advogada de Inovação e Novos Negócios.

Fonte: https://hbr.org/2018/07/collaborative-intelligence-humans-and-ai-are-joining-forces